E naquela vila quase morta não se falava em outra coisa,
- E aquele menino meio bruxo, meio mago que anda pra lá e pra cá?
- Ele me da medo.
- Ah! se não usasse essa capa preta todos os dias, acho que pareceria mais normal.
O menino que era metido a experiências místicas e científicas,
tais realizadas com os mais variados líquidos que encontrara na cozinha da mãe
e pelos campos ao redor da pequena vila,
por onde caminhava colhendo ingredientes.
Fazia todas suas experiências no seu laboratório improvisado
feito com caixas de frutas que apanhou no terreno ao lado,
criava seus monstros, e os alimentava com seu tempo
e com as palavras que saiam corridas da boca.
Todos o olhavam como se fosse louco, e murmuravam uns com os outros:
- Olha, ele está falando sozinho de novo. O que diabos está dizendo?
- também não sei, não entendo uma palavra do que diz.
- Ele engata uma palavra noutra.
- Vem, vamos! Ele está começando a me assustar.
O menino que não entendia todos aqueles olhares,
mas também não se importava
pois o monstro que criara fazia companhia.
Com o passar do tempo, o monstro começou a desaparecer,
já não era mais tão presente na vida do menino, agora jovem.
Mas ele também não havia percebido. Estaria perdendo seus maravilhosos poderes?
mas como quem não quer nada retirou sua varinha mágica e começou a anotar seus pensamentos
num pedaço de papel qualquer, foi ai que ele viu.
A mágica ainda estava lá, mas agora em papel e tinta,
é já não era capaz de criar um monstro só,
naquele pequeno papel amassado ele conseguia criar o que quisesse, seus monstros,
seus heróis,
suas batalhas, aonde todos agora poderiam enxergar,
e não mais chamar o menino de bruxo, ou louco
mas sim de poeta.
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